POR QUE O BRASIL CRESCE TÃO POUCO 2

Publicado: 6 de agosto de 2012 em INFORMATIVOS

09/03/2012 Atualizado em 6/08/2012

O mito da desindustrialização

O peso da indústria na economia do país não diminuiu – e as exportações na área quase triplicaram nos últimos dez anos

 

CSN aciaria

COMPETITIVOS
Aciaria da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, onde é feita a transformação de ferro líquido em aço líquido. Setores eficientes da economia brasileira, como a siderurgia, não precisam de proteção.

Nos últimos tempos, uma questão normalmente restrita à academia tem despertado um interesse crescente nos gabinetes de Brasília e nas rodas de economistas, empresários e executivos: a desindustrialização. Entendida como o fim ou a redução da produção industrial de um país ou de uma região, a desindustrialização, um verbete típico do economês, aquela língua que só os economistas entendem, passou a ser tema de discursos acalorados no Congresso Nacional e até de conversas de intelectuais na mesa do bar.

Muita gente acredita que o Brasil esteja passando por esse processo há alguns anos, e se mostram preocupados com isso. A presidente Dilma Rousseff e José Serra, seu adversário nas eleições de 2010 e candidato a candidato à prefeitura de São Paulo pelo PSDB, fazem parte desse grupo. Há uma desindustrialização em marcha no Brasil, diz Serra… Quero deixar aqui registrado nosso compromisso cada vez maior de fazer com que o que possa ser produzido no Brasil seja produzido no Brasil, e não importado de outros países, afirma Dilma. Na semana passada, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, uniu sua voz ao coro. “A queda da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) é a prova do processo de desindustrialização do país”, disse ele.

Num país em que o discurso nacionalista sempre rendeu votos, é de certa forma esperado que os políticos agitem tal bandeira, independentemente de coloração ideológica. Alguns economistas, também de diferentes correntes, seguem em outra direção. Eles sabem que o assunto comporta vários matizes. Estão dizendo por aí que a indústria no Brasil vai acabar, diz o consultor José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica do governo Fernando Henrique Cardoso. Acho improvável que isso aconteça.

Paul Singer, secretário de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e pioneiro do PT, concorda com Mendonça de Barros: Falar em desindustrialização hoje no Brasil é um exagero. É, com certeza, um debate cheio de armadilhas.

O efeito China (Foto: reprodução)

O PAÍS ESTÁ OU NÃO SE DESINDUSTRIALIZANDO?
Os dados oficiais mostram que, em dez anos, o volume das exportações de produtos manufaturados aumentou de US$ 33 bilhões para US$ 92,3 bilhões. Mostram também que, no mesmo período, a participação total da indústria na composição do PIB manteve-se constante, em torno de 27% – ao contrário do que afirma Skaf. Pode até ter havido alguns setores que encolheram mesmo, mas outros cresceram e ocuparam o espaço. No conjunto, ficou elas por elas.

POR QUE, ENTÃO, SE FALA TANTO EM DESINDUSTRIALIZAÇÃO?
O peso dos produtos industriais nas exportações brasileiras efetivamente caiu entre 2002 e 2011 de 54,7% para 36,1%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Como isso aconteceu, se a participação da indústria na composição do PIB continua constante?

A resposta: a fatia da indústria nas exportações caiu não por causa do encolhimento da indústria, mas em razão da expansão de outros setores. Os preços de manufaturados ainda subiram bem menos que no agronegócio, graças à concorrência chinesa, beneficiada pelo até agora baixo custo de sua mão de obra. No setor de serviços, preservado, em boa medida, da competição externa, houve um aumento maior de preços que no industrial.

ATÉ QUE PONTO O REAL VALORIZADO ATRAPALHA A INDÚSTRIA NACIONAL?
O câmbio valorizado é sempre um complicador para qualquer país. Ele barateia as importações e encarece as exportações. Por outro lado, leva a indústria a espremer os custos e aumentar a eficiência e a produtividade, e isso é bom para a economia como um todo. A concorrência dos importados também favorece o combate à inflação. Foi ela que permitiu a consolidação da estabilidade econômica nos últimos anos. Mais que a questão cambial, a chave para entender a perda de competitividade do setor industrial são as elevações generalizadas dos custos de produção.

O BRASIL TEM ADOTADO MEDIDAS PROTECIONISTAS. QUAL A CONSEQUÊNCIA DELAS?
A redução da concorrência externa leva quase sempre a um aumento de preços, com impacto negativo na inflação. Quem acaba pagando a conta é o consumidor, enquanto os industriais aumentam seus lucros. A escolha dos setores beneficiados com subsídios e financiamentos generosos favorece o tráfico de influência nos gabinetes do governo e a corrupção.

SE PORVENTURA A DESINDUSTRIALIZAÇÃO VIER MESMO, ELA SERÁ NECESSARIAMENTE RUIM PARA O PAÍS?
Há quem acredite que seria um grande problema. Mas alguns economistas acham que não. Mesmo que os produtos primários se tornem cada vez mais dominantes em nossas exportações. O perigo é não sabermos administrar a riqueza dos recursos naturais que temos. Se o Brasil aplicar bem as receitas obtidas com as commodities, principalmente do pré-sal, poderá alavancar seu crescimento de forma sustentável no longo prazo, como aconteceu com os Estados Unidos, exportadores de produtos agrícolas no século XIX, e a Noruega, hoje o país mais rico do mundo em termos relativos, que praticamente só exporta petróleo. É inevitável, quando há bonança de recursos naturais, que a mão de obra e os recursos se desloquem para setores como o agronegócio.

Postado por José Dirceu

Há uma campanha em curso, patrocinada pela grande mídia e pela oposição, para disseminar a tese de que o Brasil passa por um processo de desindustrialização. Articulistas mal-informados (ou mal-intencionados) pregam aos quatro ventos que o câmbio valorizado e os juros altos seriam as causas do aumento das importações, e que esse aumento destruirá a indústria nacional. Curiosamente, são os mesmos que atacaram o Banco Central por elevar menos a taxa Selic do que o esperado pelos “analistas” do mercado.

Boa parte da imprensa não se cansa de atacar a política industrial do Governo , o BNDES e a Petrobras. Trata-se de uma clara tentativa de fomentar pânico na indústria e esconder o excelente momento econômico que o país vive às vésperas das eleições. Configura-se, portanto, uma grande contradição, já que a ação do BNDES e o desempenho da Petrobras têm sido fundamentais para desenvolver nossa indústria, agregando inovação e tecnologia aos processos produtivos.

A realidade revela o que a tese da desindustrialização de fato é: um mito. E as provas estão no próprio noticiário, nos indicadores econômicos apresentados, e no recente manifesto de parcela significativa do setor industrial (12 associações), que defendeu o papel do BNDES e identificou na campanha contra o banco um ataque ao investimento produtivo existente no Governo. Além disso, é preciso contextualizar o recente aumento das importações. A base de comparação é frágil, porque se verifica sobre uma queda forte (16,9%) 2009, ano de crise internacional. Ou seja, boa parte desse fluxo é uma recomposição do nível de

Não é o que parece (Foto: reprodução)

importação pré-crise. Esse não é um fenômeno inédito. Em 2004, quando a atividade econômica teve forte aceleração após um ano de ajuste fiscal, também houve aumento expressivo das importações.

Outro fator a ser considerado é a alta consistente da demanda doméstica, que está na casa dos dois dígitos em virtude do aquecimento da economia. O aumento no fluxo de produtos importados vem para complementar a oferta doméstica, não para substituir a produção nacional.

Enquanto a mídia prega o terror, a indústria nacional se prepara para o futuro. Em junho, as importações de bens de capital cresceram 58,4% em relação ao mesmo mês de 2009, quando a economia brasileira já estava em plena recuperação. No primeiro semestre, a compra de máquinas e equipamentos para ampliar a produção teve alta de 26,1%. Pode haver desindustrialização em um país que investe R$ 10,6 bilhões em maquinário para produzir ainda mais?

No mês de julho, as exportações alcançaram R$ 17,6 bilhões, voltando ao nível pré-crise, resultado obtido sem que houvesse uma recuperação completa das economias dos EUA e da Europa, principais mercados consumidores do mundo. Graças à política de diversificação de parceiros comerciais liderada pelo presidente Lula, ainda há muito espaço para avançar.

O Brasil não pode depender apenas da desvalorização do real para estimular a exportação industrial. Alguns países do sudeste asiático, como Coréia do Sul, Cingapura e Taiwan, já não possuem mais a vantagem comparativa da mão-de-obra barata e nem por isso suas indústrias estão minguando. Se câmbio fraco e baixos salários fossem essenciais para uma política industrial, Alemanha e Japão não seriam as potências exportadoras que são.

O Brasil está no caminho certo. No Governo Lula, o país constituiu uma pauta de exportações diversificada, que não depende apenas da venda de matérias-primas e produtos agrícolas, ainda que estes setores passem por um período de crescimento robusto.

Entre 2003 e 2009, as exportações de produtos de alta tecnologia tiveram um aumento de 76%. O setor nacional de máquinas e equipamentos teve um faturamento de R$ 33,9 bilhões no primeiro semestre deste ano. A indústria continua se recuperando bem, com crescimento de 6,3% de dezembro de 2009 a maio de 2010. Os investimentos se intensificam em toda a cadeia industrial e ampliam-se, também, na infraestrutura, nas áreas de petróleo, gás e energia, inclusive no setor químico e eletroeletrônico.

Ao contrário da época de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), hoje, a indústria tem desonerações, juros especiais e crédito de longo prazo no BNDES. Temos política industrial e de inovação, mercado interno em expansão, apoio às exportações e acesso à tecnologia.

Tomar a pressão momentânea por produtos importados, fruto do aumento da renda e do emprego, como indício de desindustrialização é sinal de miopia ou má-fé.

BRASÍLIA – Integrante da equipe que montou o plano Brasil Maior, que destinou mais de R$ 60 bilhões em incentivos ao setor produtivo, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, disse ao GLOBO que a tese de que o país passa por um processo de desindustrialização é um mito.

O GLOBO: O Brasil está passando por um processo de desindustrialização?

MÁRCIO HOLLAND: A desindustrialização no Brasil é um mito, um falso problema. O controle inflacionário, a estabilidade de preços e o aumento da renda elevaram a demanda das classes C e D, que deixaram de consumir manufaturados básicos e agora consomem produtos mais sofisticados e serviços. Com isso, você tem a oferta de novos produtos associados mais a serviços do que a manufaturados. Então a indústria vai perdendo participação em relação ao PIB, mas ainda tem seu dinamismo.

Mas a indústria brasileira não está sofrendo com a competição no mercado internacional?

HOLLAND: Nos últimos 30 anos, a China tornou-se a maior produtora mundial de bens manufaturados e a maior exportadora mundial. Isso afetou a competitividade da indústria não só no Brasil como no resto do mundo. Todos os países tiveram que se reposicionar. A indústria brasileira também.

O governo fez o necessário para compensar essa perda de competitividade da indústria?

HOLLAND: Se não fossem as medidas do governo, a taxa de câmbio estaria mais apreciada, a indústria estaria sofrendo mais.

Ficou faltando alguma ação do governo?

HOLLAND: Num mundo como o atual, não se adota um pacote de medidas que funciona como uma bala de prata, resolvendo os problemas de uma vez. O governo está atento, vem tomando medidas e vai tomar quando for necessário.

A economia pode crescer 4,5% em 2012?

HOLLAND: Estamos fazendo todos os esforços nesse sentido. Muitos estímulos já foram dados.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/a-desindustrializacao-no-brasil-um-mito-diz-marcio-holland-4649551#ixzz22onqxFGK

 

Terminamos um ano com um crescimento menor que 2%!

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